Ação do DNIT para preservação de espécie tem resultado positivo


Publicada em 25 de Agosto de 2025

A translocação de charcos realizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em março deste ano no km 510 da BR-116/RS, em Pelotas, já apresenta resultados promissores. O projeto tem por objetivo a conservação de uma espécie de peixe da família Rivulidae, – mais conhecido como peixe-anual – por meio da transferência do substrato que contém seus ovos para um novo local na faixa de domínio da rodovia.

Segundo os especialistas do Programa de Monitoramento de Fauna e Bioindicadores, não era esperado encontrar peixes no primeiro ano após a translocação. Porém, durante a campanha de monitoramento de agosto, foi observada uma fêmea de Gymnolebias jaegari com cerca de 50 milímetros, o que demostra já existirem indivíduos ocupando a nova área. Essa espécie, criticamente ameaçada de extinção, não havia sido encontrada em qualquer outro lugar do mundo, a não ser no município de Pelotas.

A área continuará sendo monitorada trimestralmente para que seja analisado o comportamento da população de peixes. A expectativa é que novas eclosões aconteçam no próximo ciclo, aumentando o número de indivíduos no local.

Essa é uma das medidas de mitigação e conservação da biodiversidade adotadas pelo DNIT, que são orientadas pelas diretrizes do Plano Básico Ambiental (PBA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão ambiental responsável pelo licenciamento das obras de duplicação da rodovia, entre Guaíba e Pelotas.

O DNIT foi pioneiro na utilização dessa técnica, já aplicada com sucesso nas obras de duplicação da BR-116/392/RS, trecho Pelotas - Rio Grande, bem como em outros empreendimentos no Rio Grande do Sul.

Peixes-anuais
Os rivulídeos também são conhecidos por peixes-anuais ou peixes-das-nuvens porque vivem pouco tempo e dependem das chuvas para a eclosão de seus ovos. Podem ser encontrados em charcos, várzeas e banhados. Com a seca da área, os adultos morrem. Mas os resistentes ovos desses animais permanecem aguardando até a chegada do período chuvoso seguinte, em um processo chamado de diapausa, quando um novo ciclo de vida é iniciado. 

A observação técnica desses locais acontece a cada três meses justamente por ser o tempo de mudança entre seca e alagamento, de acordo com o regime hidrológico de cada ano.

Biodiversidade e Gestão Ambiental 
Com o intuito de proteger esses exemplares, foram aplicadas mudanças no projeto inicial das obras de duplicação da BR-116/RS, entre Guaíba e Pelotas. Para isso, o canteiro central naquele ponto da rodovia (km 510) foi removido, eliminando a influência de escavações e aterros sobre os habitats do Gymnolebias jaegari.

Além disso, os programas de Educação Ambiental e Comunicação Social do empreendimento realizam atividades com as comunidades rurais e instituições de ensino para apresentar as espécies e discutir formas de preservar as áreas úmidas onde esses animais vivem.