DNIT promove evento sobre conservação de peixes-anuais


Publicada em 20 de Março de 2026

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) realizou, no último dia 17, o 1º Encontro sobre Conservação e Gestão Ambiental de Peixes-Anuais Ameaçados de Extinção, na sede da autarquia em Porto Alegre. Promovido em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o evento reuniu especialistas, gestores públicos e consultores de áreas ligadas ao tema, com o objetivo de ampliar o debate e estimular ações mais efetivas para a proteção dessas espécies.

Durante o encontro, foi lançado o Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Peixes Rivulídeos Ameaçados de Extinção (PAN Rivulídeos), referente ao segundo ciclo de gestão. O documento, elaborado pelo ICMBio, contou com o apoio da Gestão Ambiental das obras de duplicação da BR-116/RS (Guaíba – Pelotas) na diagramação do material.

A programação foi organizada em três mesas de debate, que tiveram a participação de representantes de órgãos ambientais do Rio Grande do Sul e de outros estados, além de pesquisadores e profissionais que atuam direta ou indiretamente com a temática. 

Após a abertura do encontro pela manhã, os debates trataram de diretrizes necessárias à consideração dos peixes rivulídeos nos processos de licenciamento ambiental. No período da tarde, as discussões abordaram desafios e oportunidades nesse contexto, além de aspectos territoriais e socioambientais relacionados às estratégias de conservação. Ao final de cada painel, o público teve a oportunidade de participar com perguntas e contribuições.

Com a presença de mais de 60 pessoas, o encontro constituiu um espaço inédito de articulação em torno do tema, favorecendo o estabelecimento de correlações entre os diferentes segmentos de atuação e a construção de novas propostas voltadas à conservação das espécies.

Espécies sob ameaça
Os peixes-anuais, pertencentes à família dos rivulídeos, possuem um ciclo de vida peculiar e altamente dependente das condições climáticas. Com menos de cinco centímetros de comprimento, vivem em áreas temporariamente alagadas, como várzeas, banhados e charcos, que permanecem com água por cerca de seis a oito meses – período em que ocorre a reprodução. Quando esses ambientes secam, os adultos morrem, mas os ovos resistem no solo até o retorno das chuvas, quando então eclodem.

Um dos principais desafios para a sua conservação é a falta de conhecimento sobre sua existência. “Na maioria das vezes, é difícil convencer que em um pequeno charco seco existe uma espécie de peixe criticamente ameaçada e que é preciso que algo seja feito para preservá-la”, advertiu o educador ambiental Cauê Canabarro, da Gestão Ambiental das obras de duplicação da BR-116/RS.

PAN Rivulídeos
O Plano, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental (CEPTA/ICMBio), prevê ações orientadas à reversão do estado de ameaça de 130 espécies em risco de extinção no país.

O Sumário Executivo apresentado no encontro corresponde ao segundo ciclo de gestão do Plano e sistematiza informações sobre as espécies de rivulídeos contempladas, suas características e ciclo de vida, áreas de ocorrência, principais ameaças e as estratégias definidas para sua conservação.